Ambos foram presos preventivamente suspeitos de lavagem de dinheiro, em Goiás. Cabe recurso da defesa.

Tribunal Regional Federal (TRF) negou o pedido de habeas corpus de José Francisco da Neves, conhecido como Juquinha das Neves, preso preventivamente suspeito de lavagem de dinheiro. O filho dele, Jader Ferreira das Neves, também preso pelo mesmo motivo, teve o pedido de liberação negado, mas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Cabe recurso da defesa.

Ambas as decisões são datadas do último dia 29 de setembro. Os dois foram presos durante Operação De Volta Aos Trilhos da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), ambos em Goiás. Na ocasião, os órgãos investigavam lavagem de dinheiro de propinas pagas durante a obra da Ferrovia Norte-Sul, realizada pela Valec.

G1 tentou contato com o advogado de defesa de Juquinha e Jader por telefone e mensagens, nesta tarde, mas as ligações não foram atendidas e os recados não foram respondidos até a publicação desta reportagem.

O procurador responsável pelo caso, Hélio Telho, esclarece que, mesmo após serem condenados por lavagem de dinheiro, pai e filho continuaram cometendo o mesmo crime.

“Nós havíamos confiscado diversos bens deles e eles foram condenados. No entanto, descobrimos que eles tinham outros bens em nomes de laranjas e até tinham comprado mais bens e não tinham passado para o nome deles. Nesses casos foi usado dinheiro de propina da Valec, por isso configura lavagem de dinheiro”, explicou Telho.

No caso de Jader, o STJ negou o pedido em decisão monocrática, mas o colegiado ainda deve analisar o relato e votar a questão. Já no caso de Juquinha, o colegiado do TRF já deu seu parecer, negando o pedido de habeas corpus, portanto, a defesa pode recorrer em instâncias superiores.

Prisões

Jader for preso junto com o advogado Leandro de Melo Ribeiro no último dia 25 de maio, na primeira fase da Operação De Volta Aos Trilhos. Na mesma ocasião, o MPF havia representado pela prisão de Juquinha, no entanto a Justiça negou o pedido e o ex-presidente da Valec foi ouvido após condução coercitiva. Ao sair da Polícia Federal, após seu depoimento, ele declarou estar “Tranquilíssimo”.

No dia 2 de junho deste ano, com base em depoimentos colhidos na primeira fase da operação, a Justiça autorizou novo pedido de prisão do Juquinha e ele foi detido. Desde então, ele está detido no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, mesmo local em que Jader está preso.

Investigação

A operação De Volta aos Trilhos é um desdobramento das investigações da Lava Jato e nova etapa das operações O Recebedor e Tabela Periódica. Conforme os procuradores da República, a ação baseia-se em acordos de colaboração premiada assinados com o MPF pelos executivos das construtoras Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez, que confessaram o pagamento de propina a Juquinha das Neves.

De acordo com o MPF, a ação também é embasada em investigações da Polícia Federal que levaram à identificação e à localização de parte do patrimônio ilícito mantido oculto em nome de terceiros (laranjas).

Assim, os procuradores destacam que um dos principais objetivos da operação é o sequestro e apreensão dos seguintes bens:

-Apartamento no edifício IT Flamboyant, no Jardim Goiás, em Goiânia

-Apartamento em construção no Edifício Residencial Applause-New Home, no Setor Coimbra, em Goiânia

-Cinco casas populares localizadas no Condomínio Residencial Pôr do Sol II, na cidade de Bela Vista, Goiás

-Aeronave King Air, prefixo PT-WFN

-Aeronave Neiva Seneca III, prefixo PT-VOV

-Nota promissória emitida no valor de R$750 mil

-Cotas do capital social de Noroeste Imóveis Ltda., bem como dos imóveis registrados em nome dela: loteamento Jardim Noroeste, com quase 300 lotes, em Água Boa (MT); duas glebas de terra nos municípios de Breu Branco e Goianésia do Pará.

A Valec havia informado, em nota, que “as irregularidades que motivaram a operação referem-se a períodos em que a empresa era gerida por outra Diretoria. Quando foi deflagrada a operação “O Recebedor”, a atual diretoria da Valec instituiu internamente uma Comissão Especial de Acompanhamento e Apuração com a finalidade de acompanhar fatos investigados e mantém seu compromisso com a probidade, a ética e a transparência no exercício da atividade pública”.

Ferrovia Norte-Sul

A Ferrovia Norte-Sul foi inaugurada no dia 22 de maio de 2014, depois de cerca de 25 anos do início das obras. O trecho entre Palmas, no Tocantins, e Anápolis, em Goiás, tem 855 quilômetros de trilhos.

Apesar da inauguração, a primeira viagem só foi feita em dezembro de 2015. Devido à demora da obra, a Valec não soube precisar quanto de dinheiro já havia sido gasto. A estatal estimou, na época, a quantia de US$ 8 milhões. Denúncias de irregularidades marcaram a construção.

Fonte: G1