Promotora denunciou Horácio Neto por homicídio triplamente qualificado, fraude processual e por provocar aborto. Homem alega ser inocente.

O juiz Wander Soares Fonseca acatou na terça-feira (17) a denúncia contra o empresário Horácio Rozendo de Araújo Neto, de 35 anos, por matar a mulher, a representante comercial Vanessa Camargo, de 28, que estava grávida de 3 meses, em Ivolândia, região central de Goiás, segundo informou ao G1 a assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás. O homem nega ter cometido o crime.

Moradora de Iporá, Vanessa foi morta no dia 31 de julho, em uma estrada vicinal de Ivolândia. Ela estava dentro do carro da família junto com o marido e o filho do casal, de 2 anos. Tanto na época do crime quanto na reconstituição, Neto alegou que eles tinham sido abordados por dois assaltantes e que a mulher foi baleada durante uma discussão com um dos criminosos. Porém, a perícia constatou diversas divergências entre o relato dele e o que de fato aconteceu.

A promotora de Justiça Margarida Bittencourt da Silva Liones denunciou o empresário na última segunda-feira (16) por homicídio qualificado por motivo torpe, por simulação e uso de outros recursos que dificultaram a defesa da vítima e feminicídio, com o agravamento de ter sido cometido na presença do filho do casal, de 2 anos.

Neto também deve responder pelos crimes de provocar aborto, já que a mulher estava grávida, e por fraude processual no processo penal por alterar o estado do veículo da família, onde Vanessa foi morta. “Ele cometeu o crime de fraude processual com a finalidade de reforçar que tinha sofrido um latrocínio”, disse a promotora.

Margarida explica que a denúncia foi feita com base nas provas testemunhais de pessoas que viram o veículo no dia, provas periciais, de local de crime, da reprodução simulada e relacionadas a quebras de sigilos de dados, como de GPS.

“Várias provas apontam para o Horácio a autoria do crime do homicídio e demonstram a motivação por motivo torpe, por a vítima ter manifestado intenção de separação”, explicou a promotora.

 

Advogado do empresário, Palmestron Cabral rebate a alegação da promotora e reforça que o cliente é inocente. “A defesa recebe com tranquilidade a denúncia e vai apresentar a resposta dentro do prazo legal e reafirma que as provas são insuficientes para determinar a autoria”, afirma Cabral.

Empresário solto

 

Neto havia sido preso, mas deixou a Unidade Prisional de Iporá, onde mora, no último dia 5 de outubro. A liberação ocorreu porque o prazo da prisão temporária expirou, e o Poder Judiciário indeferiu os pedidos de prorrogação da detenção e de conversão em prisão preventiva feitos, respectivamente, pela Polícia Civil e pelo MP-GO.

O juiz Wander Soares Fonseca explicou no alvará de soltura que Neto deve cumprir algumas medidas, como não deixar a cidade por mais de 5 dias e não se aproximar de pessoas envolvidas no processo. O empresário também está proibido de sair de casa após às 20h e aos sábados, domingos e feriados

A promotora informou que já recorreu da decisão. Porém, não houve um novo posicionamento.

Fonte: G1/Goiás