A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES) já confirmou, só este ano, 32 casos do vírus Influenza A, conhecido como H1N1. Último boletim epidemiológico, atualizado nesta terça-feira (27), revela número de casos 10 vezes superior a todos registrados no ano passado. De acordo com o órgão, duas mortes foram ocasionadas pela doença em 2018.

As duas mortes que tiveram as causas relacionadas ao vírus foram registradas em pacientes internos do Hospital Vila São Cottolengo, em Trindade, Região Metropolitana de Goiânia. A instituição filantrópica teve, em 20 dias, 58 pacientes apresentando febre, mal-estar e problemas respiratórios. Entre eles, sete foram diagnosticados com a doença. Outras oito mortes são investigadas, a última delas ocorreu no sábado (24).

De acordo com a gerente substituta da Gerência de Imunização do Estado, Joice Dorneles, o surto é localizado e não deve gerar preocupação da população. “O surto, ele é localizado na Vila São Cottolengo, não há motivos pra pânico, mas temos que ficar sempre em alerta”, afirmou.

Como medida de precaução, os 365 internos e funcionários da instituição tomaram o Tamiflu, medicamento usado no tratamento de H1N1. Além disto, eles receberam vacina contra pneumonia e foram revacinados contra o vírus Influenza A.

Até o último dia 15 foram registrados no Brasil 105 casos de Influenza, que são tipos de gripes mais fortes. Outros 472 estão sendo investigados. Segundo o Ministério da Saúde, Goiás era, até então, o estado comais casos registrados, seguido pela Bahia e São Paulo.

“Está tendo um cenário muito semelhante ao de 2016, a antecipação da circulação do influenza, seja H1N1, seja H3N3, como em 2016, infelizmente com um número de casos grave que nos preocupa”, afirmou o médico infectologista Boaventura Brás.

Revacinação

A SES-GO começou, na última quarta-feira (21), a revacinar pacientes e funcionários do Hospital Vila São Cottolengo, em Trindade. A secretaria solicitou junto ao Ministério da Saúde a antecipação da campanha de vacinação deste ano, prevista para abril. O pedido foi negado, e a pasta disse que a alternativa foi utilizar doses de 2017.

De acordo com a gerente substituta de imunização da SES-GO, Joice Dorneles, a revacinação deve imunizar 1.042 pessoas. As vacinas integram uma reserva técnica da secretaria.

“Esta vacina é do ano passado. O vírus que está circulando dentro da instituição está contemplado nessa vacina. Ou seja, está sendo dado uma dose de reforço para aumentar a imunidade desses pacientes e funcionários”, diz.

Ela explica que antes de decidir pelo reforço, foi feita uma reunião com o Ministério da Saúde para discutir a questão. A medida, conforme afirma, foi tomada em consenso.

Por e-mail, o Ministério da Saúde disse que recomenda, “como medida de caráter excepcional e exclusiva a pacientes e funcionários da instituição filantrópica Vila São Cottolengo”, a revacinação contra influenza com a composição de 2017.

“Essa recomendação ocorre apenas porque, até o momento, as doses que serão utilizadas na campanha de vacinação de 2018 ainda não estão disponíveis para distribuição aos estados”, explicou.

“Os laboratórios produtores da vacina só começam a produzir as doses em setembro do ano anterior (no caso, set/2017), quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) autoriza a produção do imunobiológico. Isso acontece porque, todos os anos, é necessário avaliar quais cepas mais circularam no hemisfério sul, no ano anterior, e a partir daí adaptar a vacina para a campanha do ano vigente. A produção da vacina leva cerca de seis meses.”

A campanha de vacinação contra o vírus influenza será realizada nacionalmente entre os dias 16 abril e 25 de maio. Joice diz que os pacientes e servidores da Vila São Cottolengo receberão a dose mais atual. Para a campanha deste ano, está previsto que Goiás receba 1,5 milhão de doses.

O Ministério da Saúde disse ainda que os pacientes e funcionários da Vila São Cottolengo que receberem a vacina com composição de 2017 deverão ser vacinados novamente durante a campanha de 2018. Entre as doses, deve ser respeitado o intervalo mínimo de 30 dias.

Fonte: G1/Goiás