É o quarto óbito registrado no ano no estado. Familiares e colegas já haviam levantado a hipótese, apontando que ele poderia ter se contaminado por estar tratando pacientes sem equipamento de proteção.

Exames confirmaram que o pediatra da rede municipal Luiz Sérgio de Aquino Moura morreu por consequência da gripe H1N1, informou nesta quinta-feira (5) a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia. Familiares e colegas já haviam levantado a hipótese, apontando que ele poderia ter se contaminado por estar tratando pacientes sem equipamento de proteção.

A morte dele é a quarta confirmada em decorrência da doença neste ano em Goiás. O estado está em situação de alerta. Até agora já foram registrados 44 casos graves de H1N1.

Em nota, a SMS havia dito que lamenta “profundamente e com grande pesar o falecimento do Dr. Luiz Sérgio de Aquino Moura, médico pediatra, profissional dedicado e competente que muito contribuiu para a assistência pediátrica em Goiânia”.

Para combater o avanço das doenças, o governo do estado criou um comitê que vai debater sobre ações e levantar o que ainda é necessário ser feito. Uma das primeiras ações foi a reserva de 30 leitos de hospital para casos graves das influenzas.

De acordo com a gerente da Vigilância Epidemiológica, Magna Maria de Carvalho, só na última semana foram registrados 14 casos graves de influenza A. A notificação da doença não é compulsória desde 2012 e, por isso, não são compiladas todas as ocorrências.

A Influenza A é dividida em dois tipos, de acordo com o vírus que a provoca: H1N1 e H3N2. As últimas mortes por H1N1 ocorreram em 2016. Também existe a Influenza B.

O avanço no registro de casos e a morte do pediatra levaram a população a procurar clínicas de vacinação. A campanha do Ministério da Saúde foi adiada em uma semana e só vai começar em 23 de abril. De acordo com o governo federal, houve problemas na entrega das doses.

A Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO) destaca que a vacinação é importante todos os anos porque os vírus sofrem mutações e, a cada nova dose, a vacina protege contra um novo tipo.

O órgão lembra que os grupos prioritários na imunização são: crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos, gestantes, puérperes (mulheres que deram à luz há 40 dias ou menos), servidores da saúde, professores, adolescentes e jovens cumprindo medidas socioeducativas, presos, servidores do sistema prisional idosos e pessoas com doenças crônicas.

A gripe H1N1

O médico infectologista Boaventura Bras explica que os principais sintomas da gripe H1N1 são os mesmos de um estado gripal comum, como febre que dura entre 3 e 5 dias, tosse seca, secreção e dores no corpo. A forma mais eficaz de evitar a transmissão do vírus é a higienização das mãos, principalmente com álcool gel.

Caso a pessoa tenha algum sintoma da doença, ela pode procurar qualquer unidade de saúde e, lá, será dado o encaminhamento adequado a ela, de acordo com a gravidade da doença.

Quem pode se vacinar?

Podem se vacinar bebês a partir de 6 meses de idade. A vacina é contraindicada apenas para aqueles que têm alergia a ovo, segundo o médico infectologista.

Quem já teve H1N1 pode contrair a doença de novo?

“Pessoas que já tiveram comprovadamente a gripe H1N1 têm uma resistência maior ao vírus, então seria mais difícil contrair novamente. Porém, o vírus sofreu modificações e ele também pode ser infectado por outros vírus dentro da influenza”, explicou o médico.

Além disso, familiares de pacientes com o vírus também precisam tomar cuidados especiais. “Os parentes também precisam tomar o mesmo medicamento, mas em uma dose menor, mas tudo com orientação médica”, completou.

Fonte: G1/Goiás