No meio do lixo, dos urubus e das moscas, onde tudo parece ter perdido a vida, encontramos alguém tentando sobreviver. Isso em São Luís de Montes Belos.

Seu nome é José, por volta de 50 anos, de aparência desleixada e abatida, que retrata bem uma história de luta e sofrimento. Ele está vivendo no meio do lixão de São Luís de Montes Belos, em uma barraca bem pequena de lona preta.

Ele não quis se pronunciar ou gravar entrevistas, já perdeu a esperança de ser ouvido. Conta que buscou ajuda inúmeras vezes, procurou órgãos públicos responsáveis, foi atrás da prefeitura e nada foi feito por ele. Ele foi calado e ignorado, agora já não quer falar mais.

José se vira como pode, improvisa uma mesa, com alguns utensílios catados no lixo e uma cama, em um “quarto” dentro de sua barraca. Passa o dia separando coisas no lixão que sirvam de alimento e possam ser úteis. Plantou algumas bananeiras perto da barraca para que possa se alimentar dos frutos e pretende plantar mais, assim que conseguir.

José é montebelense, tem família, mas prefere ficar sozinho. Para ele “família é complicado”, por isso vive nessa situação. É melhor ficar assim que ficar na casa de familiares, “atrapalhando suas vidas”.

Sua maior vontade é conseguir uma casa doada pela prefeitura, as casas populares do setor Brisas, para que possa reconstruir sua vida. Segundo o José, os 80 reais mensais que precisa ser pago após receber a casa ele pode tentar conseguir.

Enquanto isso várias casas do Setor Brisas, construídas através do Programa Minha Casa Minha Vida, foram vendidas, alugadas ou até mesmo estão desocupadas, mesmo isso sendo proibido pelo Programa. Assim como o José, centenas de famílias que também precisam de uma moradia digna, foram e ainda estão sendo esquecidas pelo poder público.

Esse homem, “o José”, mesmo no silêncio, é um grito por políticas sociais eficazes, que promovam de fato uma mudança de estrutura de classe e acabe com a injustiça, com o desemprego, com a falta de moradia. Ele reflete um problema social muito mais amplo e sério, que precisa ser cobrado e reivindicado de nossos governantes.

Por: Geovana Souto