Beatriz de Araújo, 20, está internada se recuperando de enxerto no braço; não há previsão de alta definitiva. Jovem foi atacada após ir comprar pão, em São Luís de Montes Belos.

A estudante de farmácia Beatriz Carneiro de Araújo, de 20 anos, queimada dentro do carro após ser atacada por uma desconhecida, segue realizando tratamento no Hospital de Queimaduras de Anápolis, a 55 km de Goiânia. Segundo a diretora clínica da unidade, a médica Lilian Rodrigues Cunha, a jovem já passou por cerca de 20 cirurgias e está se recuperando dentro do previsto. A suspeita do crime está presa.

“Ela está evoluindo bem. Ela já fez dois enxertos, sendo um na face e outro no braço esquerdo. Além disso, ela também precisou passar por vários procedimentos de raspagem e troca de curativos, que por demandarem anestesia geral, são consideradas cirurgias”, disse Lilian ao G1.

A médica explicou ainda que novas operações vão depender da evolução clínica da estudante nos próximos dias.

Beatriz já teve alta parcial, mas tinha que voltar ao hospital a cada dois dias para fazer o tratamento. Por conta da última cirurgia, ela voltou a ser internada na última segunda-feira (30), quando fez um enxerto no braço.

Ela segue se recuperando na enfermaria da unidade. O quadro de saúde dela é considerado estável. Ainda não há previsão de alta definitiva.

A primeira avaliação logo após o crime constatou que ela teve 45% do corpo queimado. Porém, após uma nova análise dos médicos, esse índice caiu para 20%.

Pai da paciente, o empresário Carlos Roberto de Araújo afirma que a filha não gosta de falar muito sobre o que aconteceu e prefere focar na volta aos estudos.

“Ela quer voltar rápido e fazer os trabalhos para não perder o semestre. Conversei com professores e coordenadores e eles estão dispostos a fazer o possível para ajuda-las nas matérias. Ela quer concluir a graduação e fazer um mestrado na área de saúde”, contou ao G1.

O crime ocorreu no dia 16 de março, após Beatriz sair para comprar pão em São Luís de Montes Belos, a 120 km de Goiânia, onde mora. A suspeita quebrou o vidro do carro dela, jogou álcool e ateou fogo.

A vítima relembrou o que sentiu o gosto do álcool na boca e, mesmo com o carro já em movimento, saiu correndo.

“Lembro do desespero de pensar porque daquilo. Eu estava com muita angústia. Fiquei repetindo: ‘Eu nunca fiz mal a ninguém’. […] Fiquei muito nervosa, mas com muita dor porque eu vi que tinha queimado. Estava desesperada e o pessoal tentando me acalmar. A dor era imensa”, recordou.

Beatriz afirmou ainda que ficou em choque com o ocorrido e que não conhece a autora. “Nunca tinha visto a mulher. Fiquei muito desesperada. Essa dor eu não desejo para ninguém”, disse.

A mulher detida em flagrante teve a prisão preventiva decretada durante audiência de custódia.

G1 tentou contato com o delegado Victor Avelino, responsável pela investigação, na manhã desta quarta-feira (2), mas as ligações não foram atendidas.

A reportagem também não conseguiu contato com a defesa da suspeita.

G1Goiás