Com a decisão, PF poderá usar os depoimentos para aprofundar as investigações e, por consequência, chegar a novos envolvidos

 

A Justiça Federal homologou nesta sexta-feira (22) o acordo de deleção premiada fechado pelo ex-ministro Antonio Palocci, antigo manda-chuva de governos petistas.

O conteúdo das declarações coletadas pela Polícia Federal segue em sigilo. No entanto, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, prestado em setembro do ano passado, Palocci citou a existência de um “pacto de sangue” da propina, que envolveria o ex-presidente Lula. À época, ele afirmou que a Odebrecht repassaria R$ 300 milhões ao PT em troca de favores que beneficiariam a empreiteira.

“Eu diria apenas que os fatos narrados nessa denúncia dizem respeito a um capítulo de um livro um pouco maior do relacionamento da empresa em questão, da Odebrecht, com o governo do ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma. Foi uma relação bastante intensa, bastante movida a vantagens dirigidas à empresa, a propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos, em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, caixa 1, caixa 2.”

Antonio Palocci foi ministro da Fazenda de Lula e fez parte dos “três mosqueteiros” que cuidaram da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff ao Planalto. Estava sob sua responsabilidade a parte financeira na corrida presidencial de 2014.

Depois de o PT vencer as eleições, Palocci se tornou ministro da Casa Civil de Dilma. A derrocada do antigo homem forte petista começou em meio a acusações de ter multiplicado em 20 vezes seu patrimônio fazendo consultoria a empresas.

Preso em Curitiba desde setembro de 2016, o ex-petista foi condenado, em primeira instância, a 12 anos de prisão. Ele é acusado de participar de um esquema de corrupção envolvendo a empreiteira Odebrecht e contratos de sondas com a Petrobras.

Com a delação premiada homologada, a PF poderá usar os depoimentos para aprofundar as investigações sobre os crimes cometidos por Palocci, chegando a novos envolvidos e, por consequência, motivando novas operações.

Por: João Paulo Machado