No dia 7 de outubro passado, dia das eleições em todo o país, quando se preparava para votar, em uma sessão eleitoral, da Cidade de Goiás, o auxiliar de serviços gerais Oelson de Almeida, foi surpreendido por dois policiais civis de São Luís de Montes Belos ao dar-lhe voz de prisão. Oelson estava foragido da justiça pela morte da sua ex-namorada.

O crime aconteceu no dia 27 de janeiro de 2006, no Espelho D`água, em São Luís de Montes Belos. Com nove golpes de faca Oelson friamente tirou a vida de Wesleaine da Silva Paula, que na época tinha apenas 25 anos. O crime deixou a população revoltada.

Oelson teve a prisão preventiva decretada e três dias depois ele foi recolhido ao presídio do município. Porém, 15 dias depois, através de um Habeas Corpus, concedido pelo Tribunal de Justiça, ele foi liberado.

No dia 22 de outubro de 2008, Oelson foi à júri popular e foi condenado a 22 anos de prisão, mas a defesa, representada pelo advogado Palmestron Francisco Cabral, pediu e conseguiu a anulação do júri. Segundo ele, um dos jurados foi flagrado mexendo no aparelho de celular e que isso poderia ter comprometido o julgamento.

Um novo júri foi realizado no dia 14 de abril de 2015 sem a presença do réu. Oelson foi condenado novamente, desta vez à revelia, a 22 anos de prisão. Desta vez a defesa recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu a redução de um ano da pena aplicada. Baixando para 21 anos de reclusão. Desde de 2008 Oelson estava foragido da justiça.

Apesar de condenado pela justiça e com os direitos políticos suspensos, Oelson compareceu ao local de votação com a intenção de votar. De posse do Mandado de Prisão, Nélio e Luís Carlos foram para a cidade de Goiás e no início do processo de votação eles lograram êxito ao encontrar o foragido.

Procurado por esta reportagem para falar sobre a prisão de Oelson, o delegado de São Luís de Montes Belos, Victor Avelino se limitou a dizer que quem poderia dar mais detalhes sobre o caso seria o policial civil Luís Carlos, que participou da prisão. Não citado pelo delegado, o policial civil aposentado Nélio Fonseca, teve participação fundamental na investigação que culminou com a prisão do foragido.

De acordo com Nélio, Oelson estava sendo procurado fazia mais de 10 anos. “Durante todos esses anos a Polícia Civil não mediu esforços para tentar encontrar o autor. Uma equipe de policiais civis, composta por mim e pelos agentes Luís Carlos e Thales Inácio, diligenciou em várias cidades inclusive, na Cidade de Goiás, várias vezes em busca de Oelson, mas não o encontrou”, frisa Nélio.

“Por volta da 8h30, Oelson, juntamente com a sua esposa, entrou no pátio da Escola Dr. Albion de Castro Curado, onde o meu colega Luís Carlos lhe proferiu voz de prisão e posteriormente a equipe os conduziram no para a Delegacia de Polícia daquela cidade, onde foi confeccionado Boletim de Ocorrência e em seguida o trouxemos para São Luís de Montes Belos”, relatou Nélio Fonseca.

Relembre o caso

No dia crime, Weslaine, (foto), que na época tinha 25 anos, passava pela Rua R-2, paralela ao Espelho D`água, quando foi abordada pelo assassino, que estava de motocicleta, vindo pela Rua Aporé. Sem nenhuma explicação ou motivação aparente, o autor atacou a ex-namorada sem nenhuma piedade.

Com uma pequena faca de cozinha, Oelson desferiu nove golpes na vítima. Weslaine chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Municipal onde ela recebeu os primeiros atendimentos e em seguida ela foi transferida para o Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO), onde horas depois veio a óbito.

Weslaine, que deixou uma filha, que na época tinha apenas 4 anos, era dona de casa. Na ocasião, a morte violenta da jovem causou comoção e revolta em amigos e familiares.

Dias depois do crime, durante a reconstituição do mesmo, Oelson disse que a motivação do crime teria sido o fato dele ter visto Weslaine beijando outro homem. Fato não confirmado pelo delegado que conduziu o inquérito, Dr. Bruno Rosa Carneiro (in memoriam). Segundo ele, nenhuma testemunha afirmara esta informação e que a mesma não constava do inquérito.

No período em que Oelson estava recluso no presídio de São Luís, o Jornal Classibelos, atualmente A Voz do Povo, realizou uma entrevista exclusiva com ele, onde o mesmo afirmou, entre outras coisas, que matou a ex-namorada por amor. As declarações dadas por ele aguçaram ainda mais a indignação de amigos e familiares.

Perguntado se ele queria acabar com a vida de Weslaine, Oelson respondeu. “Eu queria acabar com a minha vida, não com a vida dela. Eu queria estar no lugar dela”, disse. Questionado se ele e a vítima brigavam muito, ele foi enfático. “Nunca, nunca, nunca. Isso aí, nunca, nunca, nunca”, afirmou.

Também, na entrevista, Oelson conta que flagrou um homem deitado na cama de Weslaine e que, além de ficar revoltado, pediu pra ela não fazer aquilo com ele não. Indagado se estava arrependido de cometer o crime, ele disse: “Eu tenho que pagar por isso. Eu tenho que pagar e morrer. Jamais pretendi tirar a vida alguém”, frisou ele.

Por: Edivaldo do Jornal