Alvo de investigação sobre supostos desvios no MEC, pastor Gilmar Santos disse em 2021 que cooperou para aproximar prefeitos ao ministério

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A declaração foi dada em abril do ano passado a uma emissora de televisão. Esse papel teria sido desempenhado quando Milton Ribeiro estava à frente da pasta.

O pastor Gilmar Santos relatou em uma entrevista, em 9 de abril de 2021, que cooperou para fazer a aproximação entre prefeitos e o ex-ministro da Educação (MEC) Milton Ribeiro. Esse papel teria sido desempenhado quando Milton estava à frente da pasta. O ex-chefe do MEC também participou da entrevista a uma emissora de televisão a convite de Gilmar.

“A nossa pequeníssima cooperação em aproximá-los do ministro [Milton Ribeiro] e de sua equipe técnica me deixou realizado por ver que eles saíram de lá com brilhos nos olhos, entendendo que há recursos à disposição para seu município e eles dependiam só de orientações”, detalhou o pastor.

g1 pediu uma nota ao Ministério da Educação neste sábado (25), às 9h, por e-mail, sobre a suposta influência que o pastor teria na pasta e aguarda retorno.

A reportagem não conseguiu contato com o pastor Gilmar Santos neste sábado. Ele foi preso em uma operação da Polícia Federal que investiga supostos desvios de verbas e liberado após audiência de custódia. Em sua rede social, ele disse que é inocente e que a prisão foi ilegal.

Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, são investigados por atuar informalmente junto a prefeitos para a liberação de recursos do MEC. Além deles, também foram presos o ex-ministro Milton Ribeiro, o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia Helder Barbosa e o ex-gerente de projetos da Secretaria Executiva do Ministério da Educação (MEC), Luciano Musse. Eles negam os crimes.

A entrevista foi concedida à TV Gazeta. O pastor contou que os prefeitos de municípios do interior precisavam de uma aproximação com o ministério e dos treinamentos que a pasta oferecia.

Gilmar Santos, que é presidente nacional da Assembleia de Deus Cristo para Todos, disse que na época valia a pena estar à disposição de Milton Ribeiro para abrir a porta do MEC para que os prefeitos se aproximassem e descobrissem que “o MEC é deles”.

Medo de lobistas

Presente na entrevista, o então ministro Milton Ribeiro chegou a falar que tinha medo de lobistas e que a intenção de fazer reuniões com prefeitos era para dar ciência de toda a estrutura que o MEC tinha de financiamento de obras, escolas e ônibus.

“Como não sou político, tenho medo de lobistas, de intermediários. Quero levar os prefeitos diretos à fonte”, comentou Ribeiro.

O prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (Republicanos), e o deputado federal João Campos (Republicanos) também participaram da entrevista.

Em nota, o prefeito Rogério Cruz disse que foi convidado pela produção da TV Gazeta e participou do programa como entrevistado, ao lado de outras autoridades. Na ocasião, o prefeito não esteve presente em nenhuma outra agenda com o então ministro da Educação, Milton Ribeiro.

João Campos afirmou em nota que não sabe como se deu o convite para o ministro vir a Goiânia, visto que não foi ele que o convidou. “Quanto ao seu comparecimento a TV Gazeta (onde o ministro já se encontrava) e consequente participação na entrevista, deveu-se a um convite feito pelo Pastor Gilmar Santos. O ministro não foi à Prefeitura de Goiânia, foi só a TV Gazeta”, diz a nota.

A TV Gazeta Goiás se manifestou por meio de nota, pedida pela TV Anhanguera. A emissora disse que realiza diariamente nos seus telejornais entrevistas com políticos dos municípios goianos, do estado e do Brasil, sem discriminação quanto a partidos e ideologias. A entrevista foi feita à pedido da assessoria do então ministro, segundo a TV.

Investigado

O nome de Gilmar foi citado por Milton Ribeiro em áudios divulgados em março deste ano. Nas gravações, o ex-chefe do MEC indica que a prioridade de repasse de verbas seria ditada por dois pastores, a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Depois, novo áudio do ministro foi divulgado negando os favorecimentos. Na época, o religioso negou participar de “gabinete paralelo”.

Fonte: G1/Goiás

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