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São Luis de Montes Belos 24 de Julho de 2019 - Total de Acessos 8586213

Corpo de menino que morreu após ser baleado enquanto brincava com arma é enterrado em Goiás

Pilotos de motocross prestaram homenagem para Luís Felipe Ribeiro, que sonhava em dirigir motos. Órgãos do garoto foram doados a pacientes de SP e DF.

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Corpo de menino que morreu após ser baleado enquanto brincava com arma é enterrado em Goiás

O corpo de Luís Felipe Ribeiro, de 7 anos, que morreu após ser baleado enquanto brincava com uma arma em uma chácara de Carmo do Rio Verde, na região central de Goiás, foi enterrado no início da tarde desta quarta-feira (14) em São Patrício, cidade vizinha. O menino, que tinha o sonho de ser piloto de motocross, recebeu uma homenagem de motociclistas.

 

“Na hora que colocou o corpo dele no carro da funerária, os pilotos aceleraram as motos até o carro sair. Depois, eles acompanharam o cortejo até o cemitério”, contou ao G1 Manoel dos Anjos Ribeiro, tio da vítima.

 

Amigos da família e colegas de escola da criança também passaram pelo velório, que começou às 2 horas, em uma igreja da cidade. O sepultamento ocorreu por volta do meio-dia.

 

“A cidade inteira está comovida. É um momento muito difícil para nós”, disse Manoel.

Luís Felipe teve morte cerebral constatada na segunda-feira (12), no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol), em Goiânia, onde estava internado. Os pais do menino decidiram doar os órgãos dele para evitar que outras famílias sintam a mesma dor que eles estão sentindo.

 

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), os rins e o fígado do garoto foram doados para duas pessoas. Uma delas mora em São Paulo e outra no Distrito Federal.

 

Baleado durante brincadeira

 

menino ficou ferido na noite de sábado (10), na chácara em que o padrinho dele morava, em Carmo do Rio Verde. Segundo a Polícia Civil, o garoto foi atingido na cabeça enquanto brincava com a arma na companhia de outras duas crianças, de 10 e 2 anos, em um quarto da casa, onde aconteceria a festa de aniversário de 62 anos do padrinho da criança.

 

“Ele e mais dois meninos pegaram a espingarda. Disseram que ele jogou ela no chão, ela disparou e pegou nele”, complementou o pai de Luís Felipe, Sebastião Félix.

 

Sebastião contou que o padrinho socorreu o menino, mas o carro quebrou a 800 metros da cidade. “Encontrei com eles no meio do caminho. O carro do padrinho dele tinha estragado. Aí eu peguei meu filho e acabei de chegar com ele de moto em Carmo do Rio verde”, detalhou.

 

A vítima foi socorrida, levada para Ceres e, depois, para o Hugol, em Goiânia, onde teve morte cerebral.

 

Investigação

O caso é investigado pelo delegado Matheus Costa Melo. De acordo com o investigador, quando o menino se feriu, não havia nenhum adulto por perto.

 

"O que a gente apurou até agora é que havia três crianças brincando em um quarto velho nos fundos da chácara. A arma, uma espingarda, ficava sobre a mesa. As crianças estavam brincando com a arma e, ainda não sabemos como, um deles levou o tiro", disse o delegado ao G1.

 

Conforme Matheus, o dono da arma também não estava na chácara, pois havia saído justamente para buscar seu compadre e a esposa, pais do menino ferido.

 

“Com o falecimento da criança, o dono da arma poderá responder por um eventual por homicídio culposo, além de omissão de cautela e posse irregular de fogo, já que não havia registro. Já foram ouvidos o dono da arma, a esposa e agora. Com a morte do menino, vamos esperar passar o luto da família para dar prosseguimento às investigações”, afirmou.

 

O que diz o dono da arma

 

O advogado Gean River, que representa o dono da arma, disse que seu cliente está bastante abalado com a situação, pois era muito próximo da família do garoto.

 

"Eles tinham uma relação muito próxima. Eles foram para o local para comemorar o aniversário dele. O pai levou a criança e deixou lá. A mãe da criança ganhou neném há pouco tempo e não queria ir de moto. Então ele foi até a cidade buscar a esposa do compadre e a criança. Ao chegar na propriedade, ele se deparou com o ocorrido", declarou.

 

Ainda conforme o defensor, o padrinho da criança foi quem prestou os primeiros socorros. Ele admite que o cliente foi imprudente ao deixar a arma no quarto.

 

"A arma foi dada por um amigo já falecido. Ela estava toda desmanchada, ele trouxe e arrumou. Na casa dele não tem criança. Ele deixava em cima da mesa. É claro que falou um pouco de cuidado, isso ele reconhece", lamenta.

 

Fonte: G1/Goiás

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