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São Luis de Montes Belos 22 de Setembro de 2019 - Total de Acessos 8720225

Líder de seita nega em carta ter estuprado quatro meninas com a ajuda da avó delas: 'Nem teria coragem'

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Líder de seita nega em carta ter estuprado quatro meninas com a ajuda da avó delas: 'Nem teria coragem'

Segundo a polícia, crimes aconteceram em rituais de magia negra em Caiapônia. Investigação indiciou casal e concluiu que mulher 'oferecia' as netas em troca de um bilhete premiado.

 

O líder de uma seita que foi indiciado por estuprar quatro meninas durante rituais de magia negra escreveu uma carta de dentro do presídio de Caiapônia, no sudoeste goiano, se declarando inocente. No texto, o homem de 42 anos, também defende a avó das garotas, que é suspeita de oferecer as netas em troca de um bilhete de loteria premiado. As vítimas têm entre 3 e 13 anos.

 

“Fiz de tudo para provar a minha inocência e da avó das meninas, mas nada adiantou, me sinto muito triste. Quero deixar bem claro que nunca estuprei crianças e nem teria coragem”, escreveu o homem.

 

O líder da seita, de 42 anos, e a avó das vítimas, de 49, estão presos desde dia 4 de janeiro, quando foi realizada a Operação Anjos da Guarda 2. O homem escreveu a mensagem dois dias depois.

 

Segundo o advogado dos suspeitos, Leonardo Couto Vilela, o cliente fez a carta após tomar conhecimento da denúncia de estupro contra a menina mais nova.

 

“No tocante às outras, ele tem total certeza que as próprias menores irão apontar na fase de instrução do processo o verdadeiro autor dos abusos. Portanto, seu desespero veio após a notícia de uma quarta vítima que sequer conhece”, afirmou.

 

O delegado responsável pela investigação, Marlon Souza, adicionou o documento ao inquérito enviado ao Poder Judiciário. Apesar das declarações do suspeito, ele tem “certeza absoluta” que o líder da seita abusou das meninas com o auxílio da avó delas, com quem mantinha uma relação extraconjugal.

 

Para o delegado, a carta escrita pelo líder da seita e o vídeo em que o avô das vítimas assume ter cometido os crimes tem o objetivo de “sensibilizar e confundir a investigação” (veja abaixo). Porém, conforme o delegado, o marido da avó das vítimas foi coagido a assumir a culpa e não teve participação nos estupros.

 

De acordo com a investigação, as meninas também contaram que foram induzidas a dizer que o avô as estuprou. O delegado declarou ainda que elas "deixaram claro que foram abusadas pelo líder da seita".

 

“A mais nova das vítimas tem 3 anos, mas já fala de maneira clara. As outras, de 7,10 e 13 anos também expressam tranquilamente e de maneira clara o cenário que a avó as obrigava a imputar o marido dela como o autor”, disse Souza.

 

Dez estupros

Inicialmente, a Polícia Civil apurava o abuso contra duas irmãs, de 7 e 10 anos, e uma prima delas, de 13. Quando foi divulgada uma reportagem sobre o caso, outra irmã das garotas, de 3 anos, entrou em pânico ao ouvir a voz do investigado em uma reportagem na televisão e disse à avó paterna que ele também havia tocado as partes íntimas dela.

 

No decorrer das investigações, o delegado concluiu que o líder religioso abusou das quatro meninas. Os crimes ocorreram em um assentamento na zona rural de Caiapônia. Na barraca do suspeito foram encontrados diversos símbolos religiosos e roupas que seriam usadas nos rituais.

O inquérito, que conta com 300 páginas, resultou no indiciamento do homem e da avó materna das vítimas por 10 estupros. Segundo a investigação, houve conjunção carnal com as meninas de 13 e 10 anos.

 

“A menina de 13 anos foi estuprada sete dias seguidos, uma vez por dia. Nas outras vítimas, a gente não conseguiu mensurar. Então, nesse primeiro momento, considerei um estupro contra cada uma. Por isto os indiciamos por 10 estupros”, detalhou Souza.

 

Prêmio na loteria

Conforme o delegado, a avó das crianças, de 49 anos, tinha um relacionamento extraconjugal com o líder da seita. As investigações constataram que a mulher "oferecia" as crianças em troca de benefícios.

 

"Nós apreendemos bilhetes de loteria. Ele dizia à avó das vítimas que ela acertaria na loteria", disse o delegado.

 

Em um diário, o homem relatava os abusos contra as vítimas. “Com [nome da menor] teve até penetração com consenso e também com pênis. [...] Teve o mesmo acontecimento com a [nome de outra menor] toques com o dedo nas partes internas dela. Muitas vezes também. Só parou quando ela começou a sentir dores”, escreveu.

 

O delegado informou que esse caderno foi encaminhado para perícia, pois há duas letras diferentes. No entanto, o laudo não está pronto até esta quarta-feira (16).

 

Fonte: G1/Goiás

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