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São Luis de Montes Belos 16 de Outubro de 2019 - Total de Acessos 8775299

Mulher diz que chegou a engravidar após ser abusada por João de Deus, mas recebeu remédio para abortar

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Mulher diz que chegou a engravidar após ser abusada por João de Deus, mas recebeu remédio para abortar

Ministério Público pediu a prisão do médium. Defesa diz que ainda não foi informada do documento e nega as acusações.

 

Uma mulher relatou nesta quarta-feira (12) que foi uma das vítimas do médium João de Deus e que chegou a engravidar após um abuso sexual em Abadiânia. A comerciante, de 53 anos, contou que recebeu um remédio para abortar a criança. O Ministério Público de Goiás pediu nesta tarde a prisão dele. A defesa do médium tem negado as acusações.

 

Ana Maria Azevedo mora em Uberaba (MG) e diz que tinha 16 anos, quando foi trabalhar na Casa Dom Inácio de Loyola, onde João de Deus faz os atendimentos. O depoimento dela começa em 3 minutos e 44 segundos do vídeo abaixo.

 

“Com três meses ele abusou de mim, tirou minha roupa. A peça íntima debaixo, aí ele fez o que fez e eu peguei uma gravidez dele”, contou.

 

Na época, ela voltou para Taguatinga, no Distrito Federal, onde morava na época. Porém, um tempo depois ela retornou ao centro espírita para pedir ajuda. “Ele falou assim: ‘Não! Eu vou dar um remédio’. Eu pensei que remédio, garrafada para fazer um tratamento, mas ele me deu um remédio para matar a criança, para eu não complicar a vida dele”, completou.

 

MP pede prisão preventiva do médium João de Deus, acusado de abuso sexual

 

Outra vítima, de 42 anos e que mora em Caiapônia, no sudoeste de Goiás, prestou depoimento na polícia e disse que foi abusada duas vezes quando tinha 11 anos. Ela viajou com a família para levar a avó, que estava com câncer, para fazer tratamento com ele.

 

“Na oração que ele foi fazer, ele colocou ela de frente para a parede e minha vó era surda, colocou minha vó de frente para a parede e começou os trabalhos dele. No dizer dele, né? Ai ele baixou a minha roupa e tentou fazer sexo comigo. Na hora eu não quis, aí ele começou a esfregar em mim”, contou.

 

Além disso, ela conta que o médium ameaçou a família dela caso ela relatasse os abusos. “Ele falava no momento que se eu contasse para alguém, minha avó morreria, que Deus não ia abençoar para ela melhorar. Me ameaçou”, completou.

 

Pedido de prisão

 

O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) protocolou, no fim da tarde desta quarta-feira (12), o pedido de prisão preventiva do médium João de Deus. Nesta manhã, João de Deus negou as denúncias e disse que era inocente.

 

O pedido foi protocolado por volta das 17h45 pelos promotores Luciano Miranda e Patrícia Otoni, na promotoria de Abadiânia. Os dois são responsáveis pela força-tarefa que investiga os supostos crimes sexuais. Na saída, eles não quiseram falar com a imprensa.

 

A medida foi requerida após o MP receber mais de 250 denúncias de supostas vítimas do líder religioso. O pedido deve ser analisado pelo juiz Fernando Chacha, que é responsável pela comarca de Abadiânia. A assessoria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou ao G1 que não pode confirmar nenhuma informação porque o caso está em segredo de Justiça.

 

Ao G1, o advogado de João de Deus, Alberto Toron disse que ainda não foi comunicado oficialmente sobre o pedido e que seu cliente segue à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos.

 

"Eu fui informado apenas pela imprensa, não recebi qualquer comunicação oficial, não conheço o teor do suposto pedido e, portanto, a única coisa que posso dizer é que o João de Deus voltou para Abadiânia e está à disposição da Justiça, como sempre esteve. Não me parece que haja qualquer necessidade da decretação da prisão preventiva. Por hora, é tudo que eu posso dizer", afirmou.

 

João de Deus aparece na Casa Dom Inácio Loyola pela 1ª vez após denúncias

 

‘Sou inocente’

 

Na manhã desta quarta-feira, João de Deus compareceu à Casa Dom Inácio de Loyola, onde realiza os trabalhos espirituais, pela primeira vez desde que as denúncias vieram à tona. Durante os poucos minutos que ficou no local, ele disse que era inocente e que confiava na Justiça de Deus e dos homens.

 

“Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo. A paz de Deus esteja convosco”, diz João de Deus.

 

A assessora de imprensa do religioso, Edna Gomes, afirmou, após as declarações, que o médium era inocente, mas que as denúncias eram graves e deveriam ser apuradas.

Denúncias

 

O jornal "O Globo", a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

 

força-tarefa que investiga as denúncias contra João de Deus começou o trabalho de investigação na segunda-feira (10), depois que o programa Conversa com Bial divulgou o relato de 10 mulheres que disseram ter sido abusadas sexualmente pelo médium.

 

Para atender às mulheres que não moram em Goiás, o MP-GO preparou uma sala de videoconferência. Nela, ficam os cinco promotores de Goiás que participam da força-tarefa, duas psicólogas e dois tradutores de línguas estrangeiras.

 

“Temos casos fora do Brasil, por isso, temos a necessidade de acompanhamento para ajudar a gente a esclarecer todas essas situações”, afirma o procurador-geral do órgão, Benedito Torres.

 

Fonte: G1/Goiás

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