Aurilândia: Ex-prefeito emite cheques sem fundos à Previdência Municipal no último dia do seu mandato. Ele contesta

Na semana que passou, o assunto que dominou as redes sociais e os bastidores políticos da pequena e pacata cidade de Aurilândia, foi esse. Que o ex-prefeito do município Rubens Batista de Queiroz, no último dia do seu mandato, teria realizado o pagamento de débitos previdenciários ao Fundo de Previdência Municipal, Auri-Previ, com cheques sem fundos.

Esta reportagem teve acesso a três cheques da prefeitura, emitidos pelo ex-prefeito, um no valor de R$ 38.533,41, outro de R$ 212.633,76 e outro de R$ 9.700,00 perfazendo o total de R$ 260.867,17. Os dois primeiros cheques foram para pagar a contribuição patronal e dos servidores referentes aos meses de outubro e novembro de 2020. O terceiro cheque seria para amortecer um parcelamento feito em 2017. Os repasses são relacionados às Secretarias de Ação Social e de Administração.

De acordo com o atual gestor do Auri-Previ, José Fernando de Amorim Martins, além de ficarem em abertos os repasses de outubro e novembro de 2020, os repasses do mês de dezembro do mesmo ano também não foram feitos. Repasses da Assistência Social, da Administração e da Saúde, que dão o valor de R$ 203.194,11. Ao todo, somando os cheques sem fundos e o saldo negativo do mês de dezembro de 2020, o valor total deixado descoberto no Auri-Previ, pela gestão anterior perfaz a soma de R$ 464.061,28.

O caso ganhou um ingrediente a mais quando José Fernando, publicou um vídeo nas redes sociais expondo o caso. Uma polêmica em torno do assunto surgiu e provocou vários comentários com opiniões divergentes de várias pessoas, algumas partidárias e outras não.

Procurada para falar sobre o assunto, a atual prefeita Cida Furtado disse que não vai comentar nada por enquanto. Segundo ela, essa é uma questão técnica e contábil. Ela prefere deixar por conta do gestor do Fundo Municipal de Previdência Municipal.

Esta reportagem procurou o ex-prefeito de Aurilândia Rubens Queiroz para ouvir a versão dele sobre o caso. Ele contesta as informações e conta, segundo ele, como deixou o Auri-Previ. “Eu estou até conversando com os meus advogados, o advogado da previdência e o procurador do município, para a gente debater a questão dessa ofensa que estão fazendo, disse ele.

O ex-prefeito afirma que ficou recursos do FPM bloqueados e culpa a atual prefeita, que foi a sua antecessora. “No final do ano passado (2020), a Cida deixou de pagar uma guia do Pasep de 2015, quando ela foi gestora, a guia tinha um valor pequeno, em torno de R$ 600 reais, devido a isso bloqueou o FPM de dezembro, então no mês de dezembro eu peguei somente o FPM do dia 10, do dia 20 e dia 30 ficaram bloqueados”, frisou.

“Então eu entrei em contato com meu contador e com a Receita Federal, mas devido a pandemia e o recesso, não conseguimos desbloquear, então ficou as duas parcelas bloqueadas, fizemos então a conciliação bancária e deixamos dinheiro para pagar fundo de previdência. Quando foi o dia 3 de janeiro, o primeiro dia útil da gestão dela, o gestor que era do fundo na época, o André Jorge, que pegou Covid-19, igual a mim, inclusive por isso por isso não pude ir na posse. Quando foi dia 18 aí ele saiu da quarentena dele, ele foi até a prefeitura entregou cheques das duas parcelas que ficou do FPM, a do dia 20 e a do dia 30, ele entregou os cheques para ela, só que ela rasgou os cheques e deixou as dívidas, nós fizemos a conciliação bancária com esse mesmo valor aí deixando dinheiro na conta para ela pagar”, finalizou.

O atual gestor do Fundo de Previdência Municipal, José Fernando, conhecido também por “Nandinho”, apresentou a essa reportagem documentos que, segundo ele, comprovam as dívidas da gestão anterior em relação aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2020 e os cheques sem fundos utilizados pelo ex-prefeito Rubens Queiroz.

Nandinho também disponibilizou ao A Voz do Povo outros documentos que comprovam que os referidos cheques não tinham fundos. Três declarações assinadas pelo ex-gestor do Auri-Previ, André Jorge Tolêdo, onde ele declara que cancelou as declarações de quitação das competências referentes aos meses de outubro e novembro de 2020, assinadas por ele quando recebeu os referidos cheques, pelo fato de os cheques não terem fundo na época.

Além disso, esta reportagem obteve também uma cópia do extrato bancário da conta relacionada aos cheques emitidos, com o saldo do dia 31 de dezembro de 2020. De acordo com esse extrato, nesse dia, a conta nº 15.065-7, da agência 0530-4, do Banco do Brasil de São Luís de Montes Belos, tinha como saldo positivo o valor de R$ 49.543,99 sendo desse montante, segundo Nandinho, nos primeiros dias de janeiro de 2021 descontados outros cheques emitidos pela gestão anterior, restando na conta o valor aproximado de R$ 14 mil, que não seriam suficientes para cobrir os três cheques em questão.

Ao contrário do que afirmou o ex-prefeito Rubens Queiroz, de acordo com uma fonte, os cheques originais não foram rasgados. Eles estão preservados. O ex-prefeito também ficou de enviar ao Jornal A Voz do Povo cópias de alguns cheques, porém, até o fechamento desta matéria nenhum documento chegou à redação do Jornal.

O Jornal A Voz do Povo deverá voltar a esse assunto novamente, isso porque a possibilidade de haver novidades sobre o caso não está descartada.

Por: Edivaldo do Jornal

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