Bares e restaurantes em Goiás preveem falências e demissões em massa

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Praticamente dois meses após o início da quarentena para conter o coronavírus em Goiás e sob a expectativa de um novo decreto do governador Ronaldo Caiado que volte a endurecer as regras de isolamento social, o setor de bares e restaurantes do Estado prevê uma onda de falências e demissões. Casas tradicionais, como o Restaurante Pimenta´s, no Setor Oeste; Parrilla, no Setor Bueno; e o L´Entrecôte de Paris, no Flamboyant Shopping Center, estão entre o que sucumbiram após quase 60 dias com as portas fechadas devido às restrições sanitárias.

Presidente da seção goiana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Fernando Jorge, diz que a intenção manifestada pelo governador Caiado de endurecer as regras de isolamento nos municípios (leia aqui) chega em um momento ainda mais delicado para o setor. “Muita gente que se preparou para atender em delivery, drive thru ou takeaway, comprando estoque nos últimos dez dias. Eles podem perder o resto de capital de giro que tinham, porque são produtos altamente perecíveis”, explica.

A entidade estima que cerca de 3 mil empresas baixem as portas definitivamente no Estado, o que resultaria na demissão de 12 mil trabalhadores. Segundo Fernando Jorge, as linhas de crédito anunciadas pelos governos federal e estadual foram “para inglês ver”. “A burocracia é muito grande, os bancos sabem das dificuldades dos empresários e dificultam o crédito. O dinheiro não chega na ponta, que é o empresário”, afirma.

Fernando Jorge critica o posicionamento do governo estadual. “Fomos parceiros, os primeiros a fechar. Preparamos nossas casas, formulamos uma cartilha, fizemos o dever de casa, mas o governo não fez com a gente”, lamenta. Ele conta que a situação é ainda mais dramática em cidades como Pirenópolis, Caldas Novas e outras, que depende do fluxo de turistas para movimentar a economia.

O empresário, que é proprietário do Café Nice, diz que afastou os 30 funcionários com base na Medida Provisória 936, que permitiu a suspensão de contratos por 60 dias e garantiu aos trabalhadores o pagamento de parcelas proporcionais ao seguro-desemprego. No fim do mês, quando a MP perde a validade, Fernando Jorge diz que terá de tomar outras providências. “Ninguém aguenta mais. Nossa conta não para de chegar”, afirma.

Flexibilização
Para o presidente do Sindbares Goiânia, Newton Pereira, o anúncio de Caiado de que haverá novo endurecimento na quarentena chega em um momento em que era possível fazer a flexibilização. “Graças a Deus e às medidas do próprio governador, Goiânia tem uma realidade relativamente confortável em relação à pandemia”, acredita.

As entidades, inclusive, produziram um vídeo em que explicavam as medidas sanitárias que haviam adotado para voltar a funcionar. O texto diz que foram preparados protocolos de segurança, que incluem, além das regras de segurança tradicionais, o uso de máscaras por todos os colaboradores e o distanciamento mínimo de dois metros entre as mesas.

O empresário afirma que o setor teve um bom Dia das Mães, que só não foi melhor porque houve um colapso nas plataformas de entrega – como IFood e Uber Eats. Porém, ele acredita que o recrudescimento do isolamento social e a natural queda no poder aquisitivo das pessoas vai impactar um setor já abalado.

“Os produtos que estão nos estoques serão todos perdidos”, prevê.

Newton Pereira diz que as empresas não têm fluxo de caixa e, assim como o presidente da Abrasel, reclama que os bancos não estão concedendo empréstimos. “O crédito está muito restrito”, afirma. Diante dessa situação, ele estima que aproximadamente 5 mil estabelecimentos fechem as portas definitivamente – o que provocaria a demissão de 12 mil trabalhadores.

O empresário cita o exemplo de seu restaurante, o Cateretê. A unidade do Setor Bueno está completamente fechada desde o início da quarentena, em 16 de março. A filial do Jardim Goiás funciona no sistema de delivery. “O faturamento é de cerca de 8% do que tínhamos”, contabiliza. Assim, dos 80 funcionários que tinha antes da crise, apenas cinco estão trabalhando. Do restante, 20, que estavam em período de treinamento, foram dispensados. Os demais estão afastados com base na MP 936 ou estão de férias. “Em alguns casos, até adiantamos o período de férias. Foi o jeito de garantir alguma renda para os funcionários”, conta.

Um dos estabelecimentos que não resistiram à crise é o Pimenta´s, restaurante self service que funcionava no Setor Oeste. Em um vídeo que circula nas redes sociais, três homens mostram o interior do estabelecimento, com produtos vencidos e salão completamente vazio. “Esse é um, vai ter mais fechando as portas”, diz um dos homens que aparecem no vídeo sem se identificar. O homem que faz as filmagens se identifica apenas como Jocélio. Abrasel e Sindbares Goiânia aguardam o teor do decreto anunciado por Caiado para definir os próximos passos. “Tanto nacionalmente quanto em Goiás, a Abrasel tem tratado o assunto com muito diálogo. Infelizmente, no nosso Estado isso não está mais acontecendo”, critica Fernando Jorge.

Atualização (13/05): o proprietário do restaurante Parrilla, Ricardo de Paiva Rodrigues, informa que seu estabelecimento está em Goiânia há 13 anos e tem sofrido com a medidas de isolamento social e “decisões incoerentes do poder público”, mas nega que tenha encerrado a sua empresa. “Estamos suspensos por prazo indeterminado, mas não sucumbimos”, disse.

Em abril chegou a funcionar pelo sistema de delivery (entregas), mas desde o último dia 3 encerrou todas suas atividades, conforme noticiado ontem pelo portal EMPREENDER EM GOIÁS, que espera que aconteça o mais breve o pleno retorno das atividades da empresa e de todas as outras atingidas pelas restrições adotadas pelas autoridades públicas para o combate à pandemia da Covid-19 no Estado.

Fonte: Empreender Goiás

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