Em meio às chamas, Grosjean pensou em Niki Lauda e lutou para sair do carro pelos filhos

Francês da Haas relatou ter visto a morte de perto e reforçou expectativas de voltar a correr no GP de Abu Dhabi, etapa final da temporada da Fórmula 1

Romain Grosjean ficou exposto ao fogo após a batida que sofreu no GP do Barein por exatos 28s7; porém, o tempo pareceu muito mais longo para o piloto, que chegou a se recordar de Niki Lauda – que também foi vítima de uma explosão em 1976 – e revelou ter lutado para sair do carro em chamas pelos filhos; Sacha, de sete, Simon, de cinco, e Camille, de dois.

– Não sei se a palavra milagre pode ser usada, mas em todo o caso, não era a minha hora. Pareceu muito mais do que 28 segundos. Meu visor ficou todo laranja, vi as chamas no lado esquerdo do carro. Pensei em muitas coisas, inclusive em Niki Lauda, ​​e pensei que não era possível acabar daquele jeito, não agora. Não poderia terminar minha história na Fórmula 1 assim. E então, por meus filhos, disse a mim mesmo que precisava sair. Eu coloquei minhas mãos no fogo e eu o senti queimando o chassi. Senti alguém me puxando, então eu sabia que estava fora – recordou o francês.

Grosjean se acidentou ainda na primeira volta da etapa, realizada no último domingo; após tocar no carro de Daniil Kvyat, da AlphaTauri, o francês da Haas saiu da pista após a curva 3 do circuito e atingiu violentamente o guard rail. Na mesma hora, seu carro se incendiou e acabou partindo no meio – mas a célula de sobrevivência se manteve intacta.

Após o choque, se passaram 28 segundos até que a equipe médica, que acompanhava os carros na primeira volta da prova, chegasse até o piloto. Sem uma das sapatilhas e com ajuda, Grosjean conseguiu sair do carro, em chamas, e recebeu os primeiros socorros antes de ser encaminhado para o hospital.

O francês ainda revelou que, antes de ser resgatado, sentiu a morte de perto, mas apesar do risco de perder a vida, não temeu por ele:

– Tive mais medo por minha família e amigos e obviamente meus filhos, que são minha maior fonte de orgulho e energia, do que por mim. Acho que vai haver algum trabalho psicológico a ser feito, porque eu realmente vi a morte chegando. Mesmo em Hollywood, é possível fazer imagens assim. Foi o maior acidente que já vi na minha vida.

Após a hospitalização, não foram constatadas fraturas ou grandes lesões no piloto; apenas queimaduras nas mãos e em um dos pés e tornozelos. Internado desde domingo, Grosjean segue em observação sobretudo para o monitoramento de seus pulmões, já que o francês foi exposto ao fogo por quase 29 segundos.

Grosjean, que se diz nascido de novo, revelou ainda que um de seus filhos o chamou de “super herói” e acredita que o pai foi protegido por um “escudo mágico do amor”, replicando as palavras ditas pela esposa do francês, a jornalista Marion Grosjean. O piloto da Haas tem a intenção de voltar a correr ainda nesta temporada, em Abu Dhabi, mas reconhece: sua vida mudou após o acidente.

– Há o sentimento de estar feliz por estar vivo, por ver as coisas de outra forma, mas também a necessidade de voltar para o carro, se possível, em Abu Dhabi, para terminar minha história com a Fórmula 1 de uma forma diferente. Foi quase como um segundo nascimento. Sair das chamas naquele dia é algo que marcará minha vida para sempre.

Fora da próxima etapa do calendário da Fórmula 1, do GP de Sakhir, o francês será substituído na Haas pelo brasileiro Pietro Fittipaldi. Nesta terça-feira, a Haas confirmou o novo titular de uma das vagas disponibilizadas por Grosjean e Kevin Magnussen: o russo Nikita Mazepin, atual piloto da Fórmula 2.

Fonte:GE/Globo.

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