Estadista ou vassalo? Esquerda e direita divergem sobre Lula na ONU

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Viagem de Lula aos Estados Unidos, ONU e encontros com Biden e Zelensky movimentaram apoiadores e oposicionistas no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para arrematar o rumo que escolheu para a política externa de seu terceiro governo: reforçar alianças com países do Sul Global e cobrar reformas na governança internacional e união em torno do combate à desigualdade, à fome e às mudanças climáticas.

Aplaudido, o discurso do petista na Assembleia Geral da ONU está sendo celebrado pelos apoiadores no Brasil, que viram “um estadista” falando em Nova York. Já a oposição está dizendo que Lula se comportou como “um vassalo” do presidente norte-americano, Joe Biden, desfilando ideias ultrapassadas no palco mundial.

Lula volta nesta quinta-feira (21/9) ao Brasil, após ter participado do principal evento anual da diplomacia mundial e de ter feito reuniões bilaterais relevantes, com líderes como o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e Biden, com o qual lançou uma iniciativa para a promoção de melhores condições de trabalho, salários e direitos.

Essa sintonia com Biden, que, como o brasileiro, usou seu discurso no evento da ONU para defender mais peso para os países em desenvolvimento no debate global, levou os críticos do governo a acusarem Lula de subserviência. “Vassalo de Biden” foi uma acusação que correu nas redes de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser usada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-mandatário, na tribuna da Câmara.

Lula, porém, também é acusado por oposicionistas de alinhamento excessivo e prejudicial a parceiros como Rússia e China, que são adversários dos EUA. Foi nessa linha a crítica do senador Sergio Moro (União-PR), que classificou o discurso de Lula na ONU, na terça, como “ruim”.

“O que se lê na parte importante é agenda contra os Estados Unidos (contra FMI, prisão de Assange e embargo de Cuba) e a favor da Rússia (contra as sanções unilaterais)”, escreveu o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro, que também celebrou a revelação, pela reportagem do Metrópoles, de que Zelensky não esteve entre os que aplaudiram Lula no auditório da ONU.

“Zelensky adotou a atitude correta durante o discurso do amigo do Putin na ONU, não aplaudiu, deu uma checada no celular e conversou com o pessoal ao lado. Lula não é um amigo da Ucrânia, mas, sim, do Putin”, atacou Moro.

Após as críticas do senador paranaense, Lula recebeu Zelensky para o primeiro encontro bilateral entre os dois e declarou que teve “uma boa conversa sobre a importância dos caminhos para construção da paz”.

Time do “estadista”

Quem está do lado de Lula comemorou os frutos da viagem diplomática mais importante do presidente até agora. Dizem que foi um discurso sobre problemas globais, sem preocupações internas mesquinhas e que deixa para trás a herança de Bolsonaro nas relações internacionais, que consideram maldita.

“Só lembrando que, em 2021, a gente passou muita vergonha na ONU. O genocida mentiu sobre o meio ambiente e a Covid e usou a assembleia como palanque eleitoral. Hoje, a gente tá com o coração quentinho, #LulaNaONU foi aplaudido 7 vezes ao longo do seu discurso, não deixou nenhum tema importante de fora e colocou o que deve ser posto na nova ordem mundial. É um grande homem, um cara diferenciado”, elogiou a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, ecoando a militância.

“O Brasil está de volta para valer, sob a liderança do presidente Lula. De volta para agir como protagonista no combate à fome e às mudanças climáticas. De volta para enfrentar as desigualdades múltiplas que abalam a humanidade, com uma agenda robusta de desenvolvimento sustentável, que gera e distribui riqueza e reduz emissões”, somou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).

Fonte: Metrópoles

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