Firminópolis: Polícia Civil flagra prefeitura comprando carne a preço de banana, mas só no papel

A Polícia Civil de Firminópolis, sob o comando do delegado Tiago Junqueira, deflagrou nesta terça-feira, 17, a Operação Novilho de Ouro com a qual desbaratou uma negociação inusitada entre um fornecedor e a prefeitura do município. Ao contrário do que sempre acontece, a empresa desse fornecedor vendia para o município carnes com valores inferiores a 50% dos praticados pelo mercado. A carne de primeira, por exemplo, a R$ 18,00 o quilo. Porém, segundo as investigações, os produtos não eram entregues.

Uma equipe de policiais civis cumpriu dois mandados de busca e apreensão na empresa Açougue L.S., de propriedade de Saturnino José de Souza Filho. De acordo com o delegado, a investigação policial foi iniciada em razão da grande quantidade de carne bovina e frangos adquiridos pela prefeitura municipal de Firminópolis nesse Açougue.

Segundo ele, ao todo, só nesse ano de 2020, foram pagos pelos cofres públicos R$ 269.267,00 em compra de CARNE. “O que chamou mais a atenção foi que em plena pandemia da COVID-19, os documentos fiscais informam compras para a merenda escolar, ainda com as aulas presenciais suspensas. Além do mais, está documentada aquisição de carne para confraternização com os servidores da garagem, em um valor que, segundo a investigação, daria para comprar mais de 163kg de carne nobre bovina”, conta Junqueira, que frisa ainda. “Aproximadamente 60 pessoas participaram da festa”.

Uma das notas fiscais que comprova os valores praticados, encontrada pela Polícia Civil, foi emitida para a Secretaria Municipal de Assistência Social. (Foto). Destaca o delegado que a investigação constatou também que servidores do município abasteciam suas casas com carnes pagas pela prefeitura.

(De acordo com a direção da Casa Lar, os produtos relacionados nessa nota fiscal foram devidamente entregues e consumidos pelas pessoas atendidas pelo Órgão no período discriminado no documento)

Até então, de acordo com o delegado, foi identificado o crime de dispensa indevida de licitação, que está devidamente materializado. “Porém, as investigações vão continuar no sentido de buscar eventual configuração de outros crimes, inclusive de ordem fiscal e contra administração pública”, frisa Junqueira.

Durante a Operação Saturnino foi preso em flagrante, não pelo crime em tela, mas por posse ilegal de arma de fogo. O delegado não quis adiantar, mas as investigações levam ao secretário municipal de administração da prefeitura, Neto, como o elo de ligação com o açougueiro.

Esta reportagem não conseguiu descobrir qual advogado foi constituído por Saturnino para falar com ele sobre a versão do seu cliente. Também não foi possível falar com o secretário de administração da prefeitura. O espaço fica aberto para ambos.

Por: Da Redação

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