Firminópolis: Suposta morte por Covid impede mãe de velar o corpo do filho

[post-views]

Em meio a Pandemia do novo Coronavírus, a morte de uma pessoa da cidade de Firminópolis supostamente causada pela doença, deixou familiares, amigos e boa parte da população apreensivos. O diarista Thiago Damas Félix dos Santos, 36, morreu em Goiânia, na quarta-feira, 3, e na declaração de óbito a suspeita da causa da morte seria Covid-19.

Antes de ser encaminhado para Goiânia, Thiago passou mal e foi atendido por duas vezes no Hospital Santa Gemma, em Firminópolis. Primeiro, no dia 1º, ele apresentou um quadro de transtorno metal e comportamental porque ele estaria em processo de abstinência, por ser dependente químico. Em dado momento ele começou a ter problemas respiratórios e em seguida, com a suspeita que poderia se tratar de Covid-19, ele passou por um teste rápido, que deu negativo.

O quadro grave do diarista persistia e acabou evoluindo para saturação respiratória, assim o médico que estava dele entendeu que ele precisava com urgência de um leito de UTI. No dia seguinte Thiago foi regulado no sistema e ficou aguardando vaga. Diante da demora e pelo fato de o paciente ter sido submetido ao teste para o novo Coronavírus, a Central de Regulação de Goiânia sugeriu que no pedido de vaga fosse acrescentado que Thiago estaria com a suspeita de estar com a Covid-19. Depois da mudança, a vaga saiu duas horas depois.

Depois de ser encaminhado para Goiânia, para um hospital de enfrentamento ao novo Coronavírus, o quadro de Thiago piorou, no dia 3 ele não resistiu e morreu. Na declaração de óbito, assinada por um médico plantonista da unidade, consta que a morte dele teria sido provocada, suspostamente, pela Covid-19. Seguindo o protocolo, o corpo foi liberado e encaminhado rapidamente para ser sepultado.

Na madrugada de quinta-feira, 4, por volta das 3 horas da manhã, o corpo do diarista chegou em Firminópolis e foi direto para o cemitério municipal, onde foi sepultado, apenas na presença da mãe, do coveiro, do motorista do veículo da funerária e do radialista Ricardo Magalhães, que registro a triste cena da mãe sendo impedida de velar o corpo do filho, aconteceu.

Além da dor de não poder fazer o velório do filho, por nenhum minuto, a mãe do diarista ficou ainda mais abalada por ver o mesmo sendo enterrado de uma forma desumana, com a suspeita de ter perdido a vida por uma doença que ela tem a certeza que ele não tinha. O caso de Thiago é semelhante a milhares de outros ocorridos no Brasil. Para o Ministério da Saúde, todos os pacientes com problemas respiratórios, que vêm a óbito, o protocolo é atestar para a suspeita de Covid-19.

Existe também uma outra suspeita para a morte de Thiago. De acordo uma pessoa íntima dele, durante uma abordagem policial ele teria ingerido uma pedra de entorpecente. A direção do Hospital Santa Gemma acredita que caso isso seja verdade, a droga pode ter se diluído no intestino do diarista e pela forma que ele chegou no Hospital, clamando de muitas dores, a possibilidade disso ter ocorrido pode causado um problema que evoluiu para o óbito não pode ser descartada.

Existe mais uma informação relevante quanto à droga suspostamente ingerida pelo diarista, que ele teria reclamado que a mesma poderia ser “batizada”, ou seja, misturada a outros produtos. Diante da situação, a família confirma que irá buscar os meios necessários para esclarecer toda a história. Se procede a questão da droga ingerida, quem foi que a forneceu para Thiago e a verdadeira causa da sua morte.

A diretora do Hospital Santa Gemma, Cristiane Paula Pereira, afirmou a esta reportagem que a sua equipe fez tudo que foi possível para atender o diarista até o momento em que ele foi encaminhado para Goiânia. “Lamentamos muito pelo fato dele não ter resistido. Para nós é uma tristeza muito grande. Nos solidarizamos com a família nesse momento de profunda dor”, lamenta Cristiane.

O radialista Ricardo Magalhães, que cobriu toda a história, ficou indignado com a estrutura da saúde pública do Estado. No momento do sepultamento, Ricardo gravou um vídeo mostrando a situação e na ocasião ele relatou a dor da mãe de ver o corpo do filho sendo enterrado daquela forma. “É desumano. Não tem como descrever de outra forma. É um absurdo o sistema de saúde pública em nosso Estado”, desabafa ele. O vídeo foi visualizado por milhares de pessoas, que também ficaram indignadas.

Por: Edivaldo do Jornal / Ricardo Magalhães

PROPAGANDA
[xyz-ips snippet="galeria"]

Compartilhar