Governo de Goiás cancela a temporada do Araguaia de 2020

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Epidemia de Covid-19 faz governo proibir temporada com medidas rígidas e previsão de multa para quem descumpri-las

O governo de Goiás anunciou nesta quarta-feira (10) o cancelamento da temporada de 2020 do Araguaia. Tradicionalmente, cidades às margens do rio são destinos turísticos badalados nas férias. As determinações valem a partir de 1º de julho. A informação havia sido antecipada pelo Diário de Goiás. A medida foi tomada para evitar o avanço da Covid-19 no estado.

Um decreto do governo estadual, após consulta municípios, instituições públicas e entidades representativas formalizou a proibição. Estão vedados acampamentos, shows, festas, caminhadas ecológicas, passeios ciclísticos, corridas e realização de espetáculos. Rios, cachoeiras e praias do Araguaia e afluentes não poderão ser utilizadas. A instalação de estruturas temporárias de restaurantes, bares, banheiros, pontos de apoio e outros também foi proibida.

Ficou definido que a fiscalização ocorrerá por parte da Polícia Militar Ambiental, do Corpo de Bombeiros, da Goiás Turismo e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Como as medidas começam a valer no dia 1º de julho, até lá será feita uma campanha de orientação e conscientização junto à sociedade para que evite se deslocar até a região. Em caso de descumprimento das medidas, pode haver multas que variam de R$ 1 mil a R$ 500 mil.

De acordo com o decreto, ficam permitidas as atividades individuais ou unifamiliares, desde que os participantes apresentem atestados médicos de não infecção pela Covid-19 ou atestados de imunização à doença, dos últimos 15 dias, nas barreiras sanitárias que serão montadas nas vias de acesso às cidades inseridas na Bacia do Rio Araguaia.

Os comprovantes poderão ser solicitados a qualquer momento também pelas equipes de fiscalização. O decreto também obriga a utilização de máscaras de proteção e recomenda a desinfecção constante de mãos e superfícies com álcool 70%.

Temporada durante pico

Dados do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o Novo Coronavírus (COE) apontam que o pico da pandemia deve acontecer entre junho e julho no Estado, justamente o período de maior movimentação de pessoas nos municípios próximos ao Araguaia.

O secretário de Saúde, Ismael Alexandrino, diz que a medida é imprescindível em um momento de franca expansão no número de casos de Covid-19 e de expansão da pandemia para o interior do estado. “A suspensão da temporada no Rio Araguaia se tornou necessária tendo em vista a preservação da vida e a proteção da saúde dos goianos”, destaca.

O prefeito de Aruanã, Hermano de Carvalho, pediu a colaboração da população. “Vivemos um momento delicadíssimo com essa pandemia que assola o mundo e tem trazido enormes dificuldades a todos”, disse. “Conto com vocês, em nome da vida, em nome da saúde, precisamos da colaboração de todos para que, num futuro próximo, possamos estar juntos novamente. Fiquem em casa”, reafirmou ele.

“As medidas adotadas visam evitar aglomerações e, consequentemente, a disseminação do coronavírus entre os turistas e as populações de ribeirinhos, indígenas e outras comunidades mais vulneráveis”, destaca a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis. “Sabemos que se trata de um evento de grande dimensão cultural para os goianos, mas devemos, sobretudo, persistir e insistir nas ações que visam a defesa irrestrita da vida”, pondera.

Segundo o governo, o decreto se baseia nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e em estudos científicos que demonstraram que vários tipos de coronavírus, com características semelhantes ao Sars-CoV-2, se mantêm ativos em ambientes naturais de água doce, e se propagam com mais facilidade em locais com água estancada. Além disso, a falta de saneamento básico adequado na região é outro fator de potencial transmissão do vírus.

Fonte: Diário de Goiás / Fotos: Ilustrativas

 

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