São Luís de Montes Belos, dia 07 de julho de 2026

Ibaneis foi avisado do risco de sabotagem ao nomear Torres, diz Celina Leão, governadora do DF

Apesar de bolsonarista, Celina Leão, governadora em exercício do Distrito Federal após o afastamento de Ibaneis Rocha, defende que o ex-presidente poderia ter evitado o cenário político atual com uma “fala firme”. Alinhada ao discurso do mandatário retirado do posto por 90 dias em virtude de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Leão afirma também que o Exército impediu a retirada de manifestantes acampados em Brasília, que acabou palco da invasão de extremistas que atacaram as sedes dos três Poderes.

Como a senhora foi informada dos atos golpistas do dia 8 de Janeiro?

Acompanhei a situação ao lado dos ministros Flávio Dino (Justiça), José Múcio (Defesa) e Alexandre Padilha (Relações Governamentais). Fiz contato com o então comandante-geral da PM (coronel Fábio Augusto Vieira, hoje preso), e ele me dava um “feedback” em tempo real. Só saí de lá quando os três Poderes foram retomados e com a decisão da federalização (da Segurança Pública).

O governador afastado, Ibaneis Rocha, disse acreditar que houve “sabotagem” no esquema de segurança do dia 8 em Brasília. A senhora concorda?

Eu acredito (em sabotagem) também.

O governador errou ao nomear o ex-ministro Anderson Torres para comandar a Secretaria de Segurança?

Talvez a boa-fé do governador o tenha colocado nessa situação, por não acreditar que poderia ser sabotado, mesmo tendo sido alertado por diversas pessoas. Ele quis nomeá-lo, apesar do pedido formal do PT para evitar. Ele (Ibaneis) dizia que Anderson havia sido secretário antes e que não houve problema.

A senhora foi contra a nomeação de Anderson Torres?

A minha opinião sempre foi que (a nomeação de Torres) causaria problemas tanto para ele (Ibaneis) quanto a Anderson. Mas eu não imaginava que aconteceria o que aconteceu.

Algo chamou a atenção na atuação de Torres?

Eu só estranhei muito a viagem dele (para passar férias nos EUA). Ele disse que estava muito cansado e que fazia tempo que não ficava com a família.

Qual foi a última vez que a senhora falou com Anderson Torres?

Foi numa reunião de secretários, na véspera da viagem.

E com Ibaneis?

Foi no dia da crise. Fui dormir e acordei com a decisão (do ministro Alexandre de Moraes, do STF) na madrugada do afastamento.

FONTE: Mais Goiás

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