Lula coleciona viagens internacionais sem passar por oito estados brasileiros

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Ao longo do primeiro ano do governo Lula 3, presidente visitou mais de 20 países. Petista não passou, porém, por Goiás e outros sete estados da federação

Após périplo por diversos estados brasileiros e em mais de 20 países, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) encerra a intensa agenda de viagens do ano de 2023, o primeiro do seu terceiro mandato à frente do Executivo, sem nenhuma visita ao estado de Goiás. 

Em junho, era prevista a ida do mandatário a Rio Verde, cidade do interior goiano, para a inauguração da Ferrovia Norte-Sul, após mais de 35 anos de obras. Na ocasião, o mau tempo no município impediu que a aeronave presidencial pousasse no local em segurança e a agenda foi cancelada. De acordo com a Presidência da República, Lula ainda aguardou cerca de 1h20 na Base Aérea de Brasília, mas não pôde decolar.

Durante entrevista coletiva na semana passada, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), deu resposta lacônica ao ser perguntado sobre a possibilidade de o petista visitar o estado em 2024. “Ele será bem recebido”, respondeu. “Lula não pôde, por questões climáticas, chegar a Rio Verde na inauguração da Ferrovia Norte-Sul. Eu estava lá para recebê-lo. E no momento que ele marcar, também estarei para recebê-lo e com todas as honras — como deve ser recebido um presidente da República —, com todas as liturgias do cargo e todo o respeito que eu tenho e que sempre foi minha maneira de agir.”

Em tempos passados, as viagens ao Centro-Oeste se desenrolaram de forma mais ligeira. Há 20 anos, quando estava em seu primeiro mandato como presidente, Lula fez a primeira visita ao estado de Goiás no dia 15 de abril de 2003 — pouco mais de três meses depois de assumir o Palácio do Planalto. À época, o chefe do Executivo viajou a Catalão, município do sul goiano, para inauguração da Companhia Petroquímica Brasileira (Copebrás) e foi acompanhado do governador tucano Marconi Perillo. 

No atual mandato, integrantes do governo federal já sinalizam que o petista poderá realizar mais viagens pelo Brasil no ano que vem. Na quarta-feira passada (20), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou a jornalistas que 2024 será um ano de “menos lançamentos e mais entregas” e que Lula estará presente em todos os estados brasileiros ainda no primeiro semestre, o que inclui Goiás. 

Além de Costa, o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) também concorda que a agenda de Lula em 2023 foi mais focada em reconstruir o governo e levar o Brasil de volta ao cenário internacional. Ao jornal Folha de S.Paulo, Padilha ressaltou os bons números que o governo colheu neste ano na seara econômica e confirmou que o presidente da República deverá se dedicar “a viajar mais pelo Brasil” no próximo ano.

Criticado por cumprir mais agendas no exterior do que no próprio país, Lula defendeu-se durante a última live presidencial do ano. “Se prepare, porque eu viajei muito para o exterior, em 2023, mas ano que vem quem tiver com saudade do Lulinha se prepare, porque eu e a Janja vamos percorrer esse país”, disse o presidente.  

Embora ainda não haja uma data cravada para uma nova viagem do petista ao estado de Goiás, ao longo de 2023 outros sete estados brasileiros também não receberam visitas do presidente, sendo que desses, Minas Gerais é considerada a ausência mais notável — justamente por ser o segundo maior colégio eleitoral do país e peça-chave na disputa à presidência.

Na análise do cientista político Lehninger Mota, o critério de representatividade política de cada estado é fundamental para entender o motivo de o presidente Lula ter deixado de viajar a alguns estados ao longo do primeiro ano do terceiro mandato. Mas esse argumento, na prática, segundo diz, não se sustenta quando se olha para as viagens do petista.

“Apesar de Goiás ter sido um estado que Lula não visitou e só representa 3% dos votos do Brasil, Minas Gerais foi determinante para a eleição dele. Lá ele ganhou, mesmo com uma margem apertada, mas não visitou depois”, explica Mota ao jornal O HOJE. “Lula se concentrou em duas frentes: articular no Congresso Nacional e fazer reformas importantes, como a tributária — e por isso ele teve que ficar em Brasília por muito tempo —, e viajar ao exterior reconquistando lugares que o Brasil já ocupou. Por causa desses fatores, podemos entender porque ele deixou de visitar alguns estados.”

O cientista político descarta a ideia de que Lula tenha deixado de ir a Goiás por receio de ser vaiado ou malquisto, por exemplo. “Isso pode vir a acontecer por causa do tensionamento político que existe no país”, diz Mota, que também pondera que a boa relação do governo estadual com o governo federal é fundamental até mesmo para destravar obras estruturais tanto em Goiás quanto na região do entorno. “Não se trata de direita ou esquerda. É uma relação institucional, de um governador com um presidente que também quer levar benefícios ao seu país. Isso tem de estar acima da ideologia política, que é natural que ocorra no momento eleitoral, mas tem de ser esvaziada no momento da gestão”.

Fonte: O Hoje

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