Polícia investiga pastor por suspeita de abuso a fiéis e diz que ele negou crime em depoimento

Até o momento, são três vítimas, sendo uma adolescente. Denúncias surgiram após família da menor encontrar mensagens suspeitas no celular dela.

A Polícia Civil está investigando um pastor de Goiânia pela suspeita de abuso sexual cometido contra três fiéis, sendo uma delas adolescente. As denúncias começaram após a família da menor encontrar mensagens suspeitas no celular dela com Esney Martins da Costa. O delegado Rilmo Braga informou que o religioso negou qualquer crime em depoimento.

A Defensoria Pública do Estado informou que um ex-membro da igreja Renascendo para Cristo, coordenada pelo pastor investigado, soube dos supostos abusos e, sabendo da existência de um núcleo de apoio às vítimas no órgão, levou o caso aos defensores.

De acordo com a defensora pública Gabriela Hamdan, o caso mais recente teria acontecido há poucos meses. Os outros teriam sido há dois e cinco anos.

“Essas vítimas trouxeram relatos muito semelhantes dos casos, embora cada um tenha ocorrido em uma época. No início, elas começaram a frequentar a igreja e se sentiram acolhidas. Esse líder religioso se aproximava delas como uma figura paterna e começava a ajudar financeiramente, levar para fazer retiro”, disse a defensora.

Após ganhar a confiança das vítimas, começavam os abusos, segundo a Defensoria Pública.

“Começava-se com uma oração com imposição de mãos como se tivesse pegando no coração e, aí, descia a mão. Era algo sutil, e as vítimas começavam a duvidar se estavam ficando loucas por estarem acusando um homem de Deus” contou Hamdan.

Relatos

O pastor se apresentava aos fiéis como um intérprete da vontade de Deus. Foi com esse discurso que ele conseguiu molestar uma das vítimas.

“Ele falava que era para o meu crescimento espiritual, que era para eu crescer na vida. Ele às vezes confunde até a mente da gente em acreditar que o que ele faz vem de Deus”, afirmou uma das vítimas.

Ela ainda disse que, ao contar ao pastor que tinha sido abusada sexualmente quando era criança, ele insistiu ainda mais: “Você vai ter que passar pela ferida para ser curada. E aí eu fiquei: ‘Meu Deus, eu vou ter que ser molestada de novo para ser curada de um trauma que eu fui na infância?’ Então isso não me deixava dormir”, relembrou.

A família da adolescente relata que descobriu os abusos após perceber a mudança de comportamento da menina. “Todas as vezes que ela ia, ela chegava em casa chorando e se mutilava – as pernas, as costas. E eu comecei a desconfiar. Foi um choque. Quando eu vi aquilo, o meu mundo desabou. Eu morri ali. Eu me sinto culpada, eu me sinto culpada de tudo, mas eu também fui vítima disso tudo. Ele me enganou”, lamentou a mãe dela.

Em uma das mensagens encontradas, o religioso diz que a menor dormiria na casa dele. Em outra, ele orienta a garota a se fingir de “doida” para a família caso eles desconfiassem de algo. Segundo a família, os dois tiveram relações sexuais.

“Oi, amorzinho. Te amo. E olha, não se deixe vencer, tá bom? Não dá ouvido e faz o que eu falei. Se você tiver que dar uma de doida, você vai lá naquelas imagens da sua mãe e quebra tudinho. Joga no chão e rola no chão”, diz a mensagem de áudio.

 Investigação

Dois casos estão sendo investigados pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e o da menor, na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O pastor prestou depoimento e disse que é inocente.

“A princípio, o suspeito nega todas as acusações e se coloca à disposição da polícia. O que percebemos é que as informações trazidas aos autos em nada colaboraram com as investigações”, disse Rilmo Braga, delegado e gerente de Planejamento Operacional da Polícia Civil.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do pastor nesta segunda-feira (2). Em nota enviada ao Fantástico, a advogada Rosângela Magalhães disse que ele prestou todas as informações solicitadas e está colaborando com as investigações. Ela apontou ainda que as denúncias não tratam de fatos praticados com violência ou grave ameaça.

A polícia ainda aguarda que novas testemunhas e até mesmo novas vítimas possam aparecer após as denúncias que já foram feitas. Se forem comprovadas as acusações, o pastor pode ser indiciado por crime de violação sexual mediante fraude e importunação sexual. Somadas, as penas podem ultrapassar dez anos de prisão.

Fonte: G1/Goiás

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