Professoras falam sobre adaptação para dar aulas virtuais durante pandemia e citam ‘incertezas e improvisos’

Falta de equipamentos e de acesso à internet estão no topo das preocupações de educadoras. Aulas estão sendo virtuais há três meses.

Professores da rede estadual de educação estão há três meses tendo que dar aulas a distância para os alunos, em Goiás. Nesse período, eles contam que tiveram que se adaptar, aprender novas habilidades, mas citam “incertezas e improviso” durante esse processo. A falta de equipamentos e internet para os alunos ainda está no topo da preocupação dos professores.

As aulas na rede estadual estão suspensas devido ao coronavírus desde o dia 18 de março. Desde então, todas atividades estão sendo desenvolvidas virtualmente e contam como aulas letivas.

“Eu nunca tinha feito vídeos. E do nada me vejo gravando aulas. Peguei um tripé emprestado, uma luz, dessas de blogueira, mas nem sei montar elas, se eu desmontar, não sei como voltar. Tenho colegas que não sabiam montar um power point e tiveram que aprender”, contou a professora de prática de laboratório, Alanda Alves, que dá aula para o ensino médio no Centro de Educação em Período Integral Michelle do Prado Rodrigues.

Priscila Cardoso Vieira dá aulas de língua portuguesa para a alunos de 6° e 7° anos e disse que também precisou se adaptar a algumas situações. “Tive que passar meu celular privado para os alunos tirarem dúvidas, que era algo que eu não fazia. A educação também se dá por afeto, então nesse período fica mais difícil, então estamos tendo que aprender diariamente em como dar a aula a distância. A gente está se reinventando”, disse.

As duas educadoras usam aplicativos de conversas, redes sociais e chamadas de vídeo para passar o conteúdo aos alunos com isso. Porém, nem todos os estudantes têm celulares ou computador próprio, além de boa internet e ilimitada. Com isso, não é possível ter uma educação igualitária, garantindo o mesmo acesso a todos os estudantes.

“Um resumo que pode ser feito desses três meses é que foram de incertezas e improvisos imensos”, disse Priscila.

Alunos

Os estudantes também precisaram se adaptar diante da mudança repentina no modelo de educação. Além das dificuldades de acesso à internet, foi preciso mudar a quantidade de atividades, por exemplo.

Priscila contou que, no início, os alunos reclamaram da quantidade de exercícios, que era a mesma quantia passada em sala de aula

Os alunos reconhecem os esforços dos mestres e relatam até sentir falta das práticas em laboratórios com Alanda. Porém, em algumas ocasiões, é necessário informar aos pais que os filhos não estão fazendo as atividades ou acompanhando as aulas online, para que as lições não sejam deixadas de lado.

Desgaste

Os alunos que não têm acesso aos meios digitais recebem as tarefas impressas, entregues pelo colégio. Com isso, só será possível avaliar com propriedade o desenvolvimento dos alunos quando as aulas retornarem.

A necessidade de elaborar diferentes materiais acaba contribuído para uma maior carga horária dos educadores. “Tenho que gravar uma aula para quem tem acesso à internet, montar um material especial para ser impresso, os alunos às vezes só conseguem acesso ao celular quando os pais voltam do trabalho, então nosso trabalho vai até 22h.”

“Não posso recusar as tarefas daquele aluno pelo fato dele não ter condições de fazer dentro de um horário por não ter o acesso a tecnologias”, relatou Alanda.

Ela avalia, ainda, que esse período deixou as experiências na educação mais intensas. “É tudo ‘muito’. Muito bom testar novas mídias, novas didáticas, mas também é muito difícil alcançar todos os alunos, dar a mesma oportunidade a todos”, pontua.

Já Priscila considera que esse período pode levar a uma reflexão sobre as estruturas das escolas e sobre a importância de se democratizar o acesso à tecnologia.

Rede estadual

Desde o início da pandemia, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) disponibilizou uma plataforma para que os alunos acessem várias aulas e atividades curriculares, além de transmitir aulas pela TV e rádio.

O planejamento inicial é que as aulas retornem em agosto, dependendo de como estiver a evolução do coronavírus no estado. A retomada seria feita em três etapas:

  • Dias 3, 4 e 5 de agosto: Espaço de acolhida aos estudantes e aos profissionais da educação de toda a Rede Estadual de Goiás.
  • Dias 6, 07, 2ª e 3ª semanas de agosto: retorno dos estudantes que não conseguiram participar das aulas não presenciais do 1° semestre de 2020. Os demais continuarão com aulas remotas.
  • A partir da 4ª semana de agosto: retorno de todos os estudantes do Ensino Fundamental I e II e Ensino Médio em regime de revezamento.

Ainda segundo a Seduc, a médica de participação dos 530 mil alunos da rede nas aulas não presenciais é de 86%. Nesse índice, a secretaria também inclui aqueles que não têm acesso à internet, mas recebem os materiais impressos para estudar em casa.

Fonte:  G1 Goiás.

PROPAGANDA

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on email