São Luís de Montes Belos, dia 03 de outubro de 2026

Estudo com autópsias mostra que coronavírus se espalha no corpo todo

Descoberta feita por cientistas do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) pode ajudar a esclarecer a Covid longa

Embora a Covid-19 seja uma doença que se inicia pelo trato respiratório, relatos feitos ao longo dos últimos três anos mostram que a doença pode afetar múltiplos órgãos, incluindo os pulmões, coração, rins, fígado e cérebro, bem como os músculos e os nervos.

Um estudo do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) feito a partir da autópsia de pessoas que morreram pela doença confirma que o coronavírus é capaz de se espalhar por todo o corpo. A descoberta foi publicada na revista Nature em dezembro de 2022.

Compreender como o coronavírus se espalha pelo corpo humano e persiste por tanto tempo nos tecidos e fluidos pode ajudar a explicar também a Covid longa. Milhares de pessoas sofrem com sintomas como fadiga, falta de ar e confusão mental meses após a infecção.

“Nossos dados indicam que, em alguns pacientes, o Sars-CoV-2 pode causar infecção sistêmica e persistir no corpo por meses”, afirmam os pesquisadores do NIH no artigo. “Embora a maior carga de Sars-CoV-2 esteja nos tecidos respiratórios, o vírus pode se disseminar por todo o corpo”, escrevem.

Autópsias

O estudo foi feito a partir das autópsias de 44 pessoas não vacinadas que morreram com Covid-19 entre abril de 2020 e março de 2021. A partir das amostras, os pesquisadores conseguiram detectar e quantificar o nível de RNA mensageiro do vírus Sars-CoV-2 em 85 locais e fluidos.

A presença da informação genética é um indicativo de onde o vírus pode ter se replicado enquanto o paciente estava vivo. As amostras mostraram sinais abundantes de replicação viral em 79 dos locais e fluidos corporais analisados.

Os cientistas comprovaram que a replicação do vírus ocorre em vários tecidos respiratórios e não respiratórios, incluindo o cérebro, ainda no início da infecção. Fragmentos do coronavírus foram encontrados na autópsia do cérebro de um dos pacientes 230 dias após o início dos sintomas.

Sistema imunológico

Apesar da carga viral substancial, o cérebro e outros órgãos não mostraram alterações significativas nos tecidos quando comparadas à inflamação e lesão encontradas nas pulmões nas duas semanas após o início dos sintomas.

Nos estágios mais avançados da recuperação da doença, os pulmões dos pacientes estavam menos infectados, já os outros locais não mostravam tanta melhora. Os pesquisadores não sabem o motivo certo deste processo, mas sugerem que o sistema imunológico talvez atue melhor nos pulmões.

Fonte: Metrópoles

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