Aumentar a confiança nas vacinas e os índices devacinação, garantir a presença de médicos – brasileiros ou estrangeiros – em todas as cidades e ampliar os cuidados em saúde bucal são consideradas prioridades máximas dentro da Secretaria de Atenção Primária do Ministério da Saúde, agora sob o comando do médico sanitarista Nésio Fernandes.
“O grau de hesitação vacinal que está presente hoje na população não tem paralelo na história recente do país. Grupos antivacina foram acolhidos pelo governo federal. Grande parte da população acabou seguindo essas teses legitimadas pela instituição, pelo Ministério da Saúde”, disse Fernandes em entrevista ao g1, ao relembrar a gestão de Jair Bolsonaro (PL).
Ele também saiu em defesa do aborto legal no Sistema Único de Saúde (SUS)e disse que irá revogar todos os documentos que tragam posições que, segundo ele, forem “retrógradas” e “ultrapassadas”. (Leia mais abaixo nesta reportagem.)
Ex-secretário de saúde de Palmas (TO) e do Espírito Santo, Nésio renunciou ao cargo de presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) para fazer parte da equipe da nova ministra da Saúde, Nísia Trindade, composta por oito secretarias.
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Para Fernandes, coube a missão de cuidar da “porta de entrada” do (SUS). No guarda-chuva da Atenção Primária, estão:
- as Unidades Básicas de Saúde (UBS), presentes nos 5.568 municípios do país;
- a adoção de políticas de promoção à saúde e prevenção de doenças; e
- o programa Mais Médicos, que será retomado com ofertas de vagas para estrangeiros.
Abaixo, os planos do secretário sobre 4 pontos:
1 – Pacto pela vacinação
A atual gestão do Ministério da Saúde prepara o que está sendo chamado de “Pacto Nacional pela Vacinação”, que deve ser colocado em prática nos primeiros 100 dias de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O objetivo é recuperar as baixas coberturas vacinais, em queda há mais de cinco anos, e que afetam principalmente crianças e adolescentes que não tomaram as vacinas do calendário básico, colocando o Brasil na rota do retorno de doenças já eliminadas, como a poliomielite.
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Segundo o novo secretário, entre as medidas que devem ser tomadas estão:
- Revitalizar e aumentar o horário de atendimento nas salas de vacinação;
- Promover a vacinação itinerante, em escolas e terminais de ônibus;
- Investir em campanhas de comunicação eficientes, nas ruas e na internet.
“Precisamos vencer a hesitação vacinal. Precisamos ter painéis de transparência mostrando os indicadores de cobertura vacinal por escola, por bairro, por unidade de saúde, colocando claramente para a população o risco que é ter um filho em uma escola com apenas 40% das crianças vacinadas”, defende Fernandes. “Isso precisa estar desenhado.”
2 – Mais Médicos, com estrangeiros
O Brasil voltará a abrir vagas para médicos estrangeiros atuarem no Brasil dentro do Mais Médicos, criado na gestão de Dilma Rousseff (PT) em 2013. A iniciativa sofreu resistências de Bolsonaro, que decidiu criar um novo programa em 2019, o Médicos pelo Brasil, para substituir o programa petista.

